Alguém na Gesteira teve a ideia, em 1938/40, de formar um clube ou uma associação. Manuel Maria Duarte Tralhão, proprietário de uma oficina de bicicletas em Soure, convidou então um executante da banda desta vila, com boas aptidões musicais, para se estabelecer na Gesteira, como sapateiro. José Venceslau Madeira tornar-se-ia, assim, o primeiro regente da filarmónica, após ter congregado à sua volta um naipe de músicos, já idosos, que ali viviam e que em tempos tinham pertencido à tuna e à banda do Cercal. Entre os que ficaram para a posteridade, destaque nomeadamente para José Freire, Joaquim Pina e José Roque. Com um clarinete, uma flauta, um contrabaixo e um trombone, o grupo começou por fazer alguns bailes, com o seu pequeno conjunto, num celeiro. Mas aí estava o embrião da banda da Gesteira. Os instrumentos eram poucos, não havia dinheiro para adquirir mais. Mas lá está, nestas coisas, há sempre, normalmente, um mecenas. No caso, foi o médico Guilherme Rodrigues Tralhão, que vivia no Piquete, a disponibilizar o montante que permitiu comprar os instrumentos e tudo o que era necessário para a banda iniciar as suas actividades. Este apoio económico permitiu ainda a instalação da sede na Rua d’Além, onde, a 26 de Dezembro de 1941, começaram as primeiras lições de solfejo, com uma dezena de aprendizes. Alguns foram ficando pelo caminho, outros iam chegando e as lições continuaram até 8 de Abril de 1942, dia em que pela primeira vez saíram, a exibir-se, nas ruas, oito músicos, com um repertório de um hino, três marchas, uma valsa e um foxtrot. Seis meses depois, por questões políticas, Abel Coelho deixou a direcção da colectividade, saindo com ele o maestro Venceslau Madeira, que posteriormente foi substituído por Augusto Bica. Foi então contratado Augusto Bisca, ferreiro do Cercal, que se manteria na regência da filarmónica durante largos anos. Devido, entretanto, às crises existentes e à doença, Guilherme Tralhão exigiu para si todos os instrumentos e o resgate da maior parte do dinheiro que tinha abonado. Como não havia dinheiro para o resgate, foram entregues os instrumentos. Formou-se, então, uma comissão de oito pessoas, que negociaram com ele a recuperação dos instrumentos - abonaram mil escudos cada uma, quantia avultada naquele tempo, tendo algumas de recorrer a empréstimos, pagando juros. Reataram-se, empenhadamente, os ensaios de todo o repertório, incluindo o religioso, embora a colectividade ainda não dispusesse ainda da indispensável autorização da igreja para garantir tais serviços Isso só viria a acontecer em 1947. Em Junho de 1944, a colectividade era, entretanto, finalmente legalizada, com a aprovação dos estatutos. Surgiram, de imediato, convites para muitas festas, que se faziam com o agrado das populações, mas faltava o fardamento. Após muito trabalho, muita luta, lá se reuniu o dinheiro indispensável para o efeito. Mas faltava a sede. Com a ajuda da população, nomeadamente da juventude e da direcção da época, também ela seria uma realidade, em 1955, no local, de resto, onde se mantém. A partir daí, novas necessidades surgiram e, para colmatá-las, direcção e executantes assinaram uma letra, tomando cada um o compromisso de a pagarem com serviço no Grupo Musical Gesteirense. Devido à guerra colonial e à emigração, estes compromissos fracassaram, levando à inactividade da banda, a partir de 1965. Em 1983, uma nova direcção, liderada por Manuel Nunes Cordeiro, conseguiu colocar em funcionamento a escola de música. A banda regressou à actividade e desde então nunca mais parou. Desde 1983 até 2003, a filarmónica foi dirigida pelo maestro António Varino, rendido a 3 de janeiro de 2004, pelo maestro Duarte Garcia. Ao longo dos anos esta filarmónica foi dirigida sucessivamente por António Venceslau Madeira, Augusto Bica, João Marcelino dos Santos, Agostinho Jorge da Silva, António Roque Ribeiro Varino, Augusto Duarte dos Santos Garcia, Jorge Manuel Reis Pereira, António Simões Ribeiro, Jorgue Miguel Sousa Pereira e atualmente, Ricardo Jorge Ribeiro Ramos Gabriel. Atualmente a filarmónica conta com cerca de 50 executantes desde os alunos da escola de música.