A Banda Musical de Aboim da Nóbrega é uma instituição de raízes profundamente centenárias, embora a data exata da sua fundação permaneça desconhecida. De acordo com testemunhos orais de habitantes mais antigos da região, alguns já falecidos, sabe-se que a Banda de Música de Pedregais foi fundada em 1735 e que, já nessa época, a Banda de Aboim da Nóbrega se encontrava em plena atividade e amplamente reconhecida. Segundo a lista cronológica das filarmónicas portuguesas publicada no site da Meloteca, o primeiro registo documental da Banda Musical de Aboim da Nóbrega remonta precisamente a 1735, sendo considerada, de acordo com esses dados, a terceira banda filarmónica mais antiga de Portugal. Registos de tradição oral indicam ainda que a banda animava as festividades em honra de Santo António, em Mixões da Serra, na freguesia de Valdreu, concelho de Vila Verde — local onde existem coretos datados do século XVI. Tal facto reforça a convicção de que a presença musical da banda naquele espaço remonta a tempos muito recuados, evidenciando a sua relevância histórica e cultural na região. A Associação Cultural da Banda Musical de Aboim da Nóbrega é uma entidade sem fins lucrativos que, para além de levar o nome do concelho de Vila Verde e da freguesia de Aboim da Nóbrega a inúmeros eventos, festas e romarias por todo o país e além-fronteiras, desempenha um papel fundamental na formação musical através da sua Escola de Música. Esta constitui um espaço de enorme importância na divulgação e aprendizagem do ensino musical, proporcionando o acesso à música a crianças, jovens e adultos de várias localidades da região. Ao longo da sua história, a banda enfrentou diversos desafios, nomeadamente ao nível da aquisição de instrumental e da escassez de músicos, sendo antigamente composta por cerca de 30 elementos, exclusivamente do sexo masculino. Em 1980, registou-se um marco significativo com a integração da primeira mulher na formação, Maria do Céu Soares Alves. Em 2009, a banda realizou a gravação de um CD, seguindo-se, em 2010, o lançamento de um livro dedicado à sua história e à compilação de partituras antigas. Este importante trabalho foi desenvolvido pelo maestro José Duarte Carvalhosa, que assumiu a direção artística da banda entre 2008 e 2025, tendo sido uma figura importante para o crescimento e desenvolvimento desta associação. Em 2024, a banda teve a honra de receber a Fanfare La Cécilienne du Landeron, uma banda filarmónica suíça composta maioritariamente por músicos amadores. Esta iniciativa resultou do contacto do ex-músico José Veloso, natural de Aboim da Nóbrega e emigrante na Suíça. No âmbito desta visita, ambas as bandas realizaram concertos em Aboim da Nóbrega, tendo a Fanfare participado nas Festas Concelhias em Honra de Santo António. Nas últimas duas décadas, a associação viveu um período de profunda renovação e crescimento, impulsionado pela Escola de Música, pelo coro e pela orquestra juvenil, estruturas que têm sido determinantes para o rejuvenescimento, dinamização e sustentabilidade da banda. Atualmente, a Banda Musical de Aboim da Nóbrega é composta por cerca de 65 músicos, destacando-se pela forte presença de jovens, maioritariamente com idades compreendidas entre os 11 e os 30 anos, fator que confere energia, dinamismo e vitalidade ao grupo. O ambiente acolhedor e de forte espírito de união é frequentemente apontado pelos próprios músicos como uma das grandes mais-valias da banda, a par da elevada qualidade musical alcançada. Em 2026, a Banda Musical de Aboim da Nóbrega iniciou um novo ciclo artístico com a nomeação de Luís Sousa como diretor artístico, reforçando o compromisso com a excelência musical, a formação e a continuidade de uma história que atravessa gerações.